“…Aqui despi meu vestido de exílio
E sacudi dos meus passos a poeira do desencontro…”
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, Geografia, “Acaia”
E, afinal, a que se resume o amor? Amar, o que é?
Não encontro uma resposta fácil. Mas sinto, ao mesmo tempo, que me basta falar para que ela se faça ouvir.
Tantas vezes isto já me fez vacilar. E, de novo, volta a fazer. Não sei porquê, não sei e sei que, simultaneamente, tenho a resposta. Mas tenho a certeza de que não a quero saber. Hoje não. Porque me vou atirar para algo que não me preencherá em pleno e sei que o vou fazer, o que só pode demonstrar, no mínimo, estupidez… Uma estupidez que prejudicará pessoas que não quero magoar de maneira nenhuma.
Mas talvez haja um ponto onde se pensa não se ser capaz de aguentar mais e em que se tenta não sofrer sempre pelas mesmas coisas… Sempre a pensar no que não temos e gostaríamos de ter tido, no que apreciaríamos vir a ter…
Talvez devêssemos aproveitar as oportunidades e desfrutar do que, de facto, podemos ter. O que for, será. Terá de vir, pois o tempo invariavelmente segue.
E é-me claro que o fulgor interior não pode ser o mesmo. Afinal, não se ama de corpo e alma. Ama-se talvez de cabeça, porque se quer, porque se recorre à memória, à lembrança daquela ligação que julgávamos inquebrável, daquele sentimento, aquele que mais nos fez sofrer, mas que também nos proporcionou a maior felicidade que até hoje viemos a poder conhecer. Quanto mais pensamos nisso, mais reparamos nas diferenças entre o que sentimos agora e o que dantes era…
Um primeiro amor tem de ser, de facto, inolvidável? Insubstituível? Não se pode voltar a amar como da primeira vez? Então talvez não valha a pena voltar a amar… Ou a querer amar.
Nunca tive estes pensamentos, até hoje… Pois sempre considerei esta maneira de pensar mentalidade de gente fraca, filosofias baseadas no conformismo perante as situações, no contentamento perante as dificuldades. Tenho perfeita consciência disso… Mas também nunca pensei que a construção da minha felicidade pudesse obrigar-me a superar este desafio.
Nunca me considerei forte. Mas hoje ainda menos.
Talvez seja possível alcançar alguma paz de espírito. Talvez seja viável a construção do amor.
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