Gostava de saber como vemos o mundo. Gostava de saber como o vêem os outros. Gostava de saber o que nos limita, o que os limita. E porquê. Gostava de não ver assim. Não apenas assim.
É nestas alturas que qualquer sentimento de superioridade de qualquer tipo, arrogância mais parece, cai por terra. Qual o direito de julgar e opinar acerca do que não vêem, do que lhes passa ao lado, daquilo que perdem, daquilo que não percebem, das diferenças tão óbvias, quando nós próprios falamos com palas? Somos vítimas da nossa própria perspectiva, tal como eles. Como pode a estranheza desaparecer no meio disto? E como pode algo mais encaixar com ela no meio? Fica o que tiver de ficar e o tempo passa. Mas claro, sem pressa.
Ouvi dizer que a vida é como um puzzle e que não devemos à força tentar desvendá-la porque só nos vai parecer cada vez mais indecifrável. Devemos deixá-la fluir para que tudo nos pareça mais fácil. Ou é de mim, ou os puzzles nunca se resolveram sozinhos nem nunca com o tempo se revelaram mais fáceis. Mas também nunca tive jeito para puzzles. Nenhum.
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