sábado, 3 de abril de 2010

Icarus.

Photobucket

"You say you wrong, you wrong, I'm right, I'm right, you're wrong, we fight / Ok, I'm running from the light, running from the day to night / Oh, the quiet silence defines our misery / The riot inside keeps trying to visit me..."
from 'Hurricane' - Thirty Seconds To Mars

Tanto tempo. Tanto tempo na existência torpe do dia-a-dia. Tanto tempo. Sem pensar.
Momentaneamente parei no tempo. Deixei de crescer, de me interpelar e questionar, deixei de conseguir interpretar. Mas longe soava uma voz, na solidão, ora ensurdecedora ora acusadora. Os lapsos de consciência tornavam essas horas um jogo do gato e do rato, onde me escondia dela por meio de argumentos, pretextos e justificações. Onde me entretinha com o nada que fazia. Não, não, eu era o mesmo e continuava o mesmo. Apenas me adaptava.
Mas não posso. Neste mundo, não posso. Ele, que verdadeiramente sou eu, que tome as rédeas. Ele que grita de lá de dentro, desejando sair e impor-se. Seja egoísta, frio, inatingível, mas seguro, forte e corajoso. Ser magoado faz parte da vida. Magoar também.
O que me custa é a tristeza que traz com ele. Que não posso ter. A raiva, a prepotência e a arrogância que não quero ter. Porque já nem o resto consigo sentir. Já não sinto. E custa-me. Diz-me. Diz-me, por favor, o que me fará sentir-me assim tomado, diz-me o que devo fazer, como devo sobreviver. Diz-me, por favor, diz-me. Ou abraça-me e pensa comigo. Que contigo penso. Sozinho não posso. Que a realidade cai mal e é difícil de digerir.

Sem comentários: