A curiosidade sempre moveu o Homem. E sempre matou o gato.
O mistério mantém-nos vivos, em busca. Mistério, em todos os sentidos, em todas as suas formas. Num problema, num objectivo, numa pessoa. E o que fazemos instintivamente quando se desvanece? Seguimos em frente, procuramo-lo onde ainda exista. E às vezes também ficamos à nora. Mas por isso é que mantemos sempre algo de nós cá dentro. Não sai para que não nos saibam todos. Até a vontade se revolta. Porque senão o mistério desaparece. Aquela curiosidade espicaçada, a ânsia de conhecer, a taquicardia mental, o chamamento. Sei que há mais, dirão. Mas a minha consciência, nos seus insondáveis processos, só me sabe dar dúvidas e pôr em causa, em certas alturas.
Aprende-se com a Natureza que a diferença entre a selecção natural e a artificial se vê pela sobrevivência, quando a maré muda ou é agreste.
Quero muito e quero tanto, mas às vezes sinto-me sem mistério algum, mesmo sem arrependimentos. E detesto a ideia de que me possas ver assim um dia.
Como te posso pedir o que às vezes quero? Será que posso pedir que abdiques de um pouco do teu, por mim? Que te sintas exposto e vulnerável, mesmo que corra bem e te faça bem? Será que posso? Não sei e não quero ser eu a tomar essa decisão.
Não sei de onde vem todo este medo. Medo de que não aconteça, de que não fiques. De tudo não ser suficiente. Ou o que precisas. E não te culpo, nunca o farei, mas não consigo deixar de pensar, não me consigo concentrar, mal consigo escrever. É isto que me consome quando tu não me descansas, quando não sei de ti, quando a minha cabeça me melindra e faz a distância entre nós querer parecer a que realmente é.
Fazes-me feliz, e isso dá medo.
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