“The first thing you learn about emotion is that it has its price – a complete paradox. But without restraint… without control… emotion is chaos.”
from Equilibrium
Nunca gostei de estar no meio de lutas. Ser motivo de conflito ou estar no meio dele sempre foi uma das poucas coisas que me tira o sono. Só não consegue totalmente porque me esgota, e adormeço.
Sou uma daquelas pessoas que sempre exasperou pela emoção, pelo turbilhão de sentimentos e sensações que a vida deve ter. Ou que nos dizem que sim. Que só assim se vive verdadeiramente. Acredito. Ou quero acreditar, não importa. O oposto ensina-me menos.
Não ter medo de agir pelo sentimento, não ter medo de dar, do põe quanto és no mínimo que fazes. Tê-lo por momentos, e ser feliz com ele. Ansiar por ele, ser feliz a pensar nele. Ainda não veio, mas virá. Viver, aproveitar, e esperar. Talvez não saiba descrever bem como é, ou talvez não consiga mesmo.
E deprimir por ele. Vê. Não existe, não há lá nada, não sentes nada. E poderás não vir a sentir. Faz-se tão tarde, e tu tão velho e triste. Procura outras coisas. Abstrai-te. A vida não é isto. Sê feliz. Mas não te deixes esquecer de que é aquilo que queres. Ou achas que queres, no tanto que sabes já da vida, e das sensações, e do amor. O teu coração só está vazio. Mas não deixou de lá estar. Estás feliz, por agora. Sabes isso, e aceitas esperar. Já lidaste tão bem com isso. Não pode ser-te estranho agora. Talvez a vida seja uma espera. E corre bem, o sol brilha. Mas a consciência come-te quando te apanha sozinho e vulnerável. Quando começarás a viver? Não estás a sentir! O tempo urge, e tu estás a desperdiçá-lo.
Estranhou-se, entranhou-se. Agora estranha-se, só ainda não se entranhou. Os dias são montanhas-russas, os humores infindáveis e as fases mais que lunáticas.
Até ao leitor mais desprevenido o drama parece despropositado. Talvez até a trama desconexa e bem recheada de auto-comiseração. Uma confusão cheia de boas doses de insegurança. Tudo é bem óbvio, mesmo para nós próprios. Mas o caminho não se encontra, faz-se. E no meio disso tudo, nem todos sabemos como.
Conseguimos moderar-nos, calar os caprichos da vontade e saber quando devemos afastar-nos? Pensar sobre os factos e dar voz à razão. E será que conseguimos lidar connosco ao fim do dia? Tenho medo de me fechar ao mundo. Ou medo que ele me feche. Como ganhar fôlego quando se quer sentir e não se consegue? Ou até quando não se sabe o que sentir para que o dia valha a pena? Como passar por isso? A mente esforça-se, mas não está empenhada. Parou num buraco fundo que, por enquanto, é confortável. E o que dizer sobre sentir? Como voltar a querê-lo de novo? Ou como não suspeitar disso? Tenho medo de não me dar tempo a mim próprio.
Não sei ser senhor da razão. Ser estóico, viver plácido e sereno. Não sou assim. Não consigo, embora o admire. Talvez não exista o que não sei que me falta. Mas tenho de saber pôr de lado este meu lado quando assim é preciso. Sou um sonhador, mas tenho de crescer. Já se faz tempo. Sempre tinha razão quem me disse que um dia tinha de ser. Aprender a lidar com as coisas. E a aceitar o que tenho, e posso ter. E lutar por mais, se assim quiser. Fazer por que valha mais a pena.
Temo ser uma pequena criança nestes temas, mas há coisas que mexem comigo. Viver é bom. Mas viver demais faz-nos querer parar. E perder o sono.
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