“Next time you point a finger / I might have to bend it back / Or break it, break it off / Next time you point a finger / I’ll point you to the mirror”
from ‘Playing God’ – Paramore
É maravilhosa a quantidade de pessoas que consegue estar interessada em fuçar na merda dos outros. Hoje imaginei o que seria se todos os dias, aleatoriamente, fosse publicada em sítio bem público e com soberba visibilidade uma lista com tudo o que de mais sórdido e secreto houvesse a saber de uma pessoa. E depois falem-me de pessoas equilibradas. Os curiosos seriam decerto, creio, mais que muitos. Seria assunto para conversa durante horas a fio, e uma vez que todos os dias havia uma nova lista, haveria com certeza do que falar. Sim, porque é interesse de muita gente a vida, e especialmente as suas pequenas nuances, dos outros.
Alguém se lembraria de pensar na pessoa que havia sido exposta, lesada na sua intimidade e expurgada de todo o direito à privacidade? Até que nos fosse alguém próximo, importar-nos-íamos realmente? Não sei, tenho as minhas dúvidas. É sempre tão fixe ver até que ponto os outros conseguem ser tarados, ou simplesmente doidos. Invulgares. Ser voyeur é moda. E saber é poder. Mas não seria também engraçado ver até que ponto as pessoas se conseguiriam rir e falar do que o outro havia feito, com plena consciência de que também já o haviam feito, e talvez até pior? A ironia intemporal do animal social. Sempre a tentar integrar-se e fazer parte da massa, ou de uma parte dela, nem que para isso precise de esconder o mais possível os seus esqueletos no armário e rezar para que nunca os descubram e de lá os tirem.
Ter telhados de vidro tem destas coisas. Tira-nos a moralidade para falar de muito. Mas não nos impede de o fazer. E enquanto assim continuar a ser, o pobre que se vê sob o jugo alheio que se desenrasque, afinal quem nada deve nada teme. Mas nesta vida todos devemos. Esperamos sempre é não ter de temer.
Mas deixo-vos a pensar naquilo para que não achei resposta certa. Sabendo que todos os dias a lista lá estava, será que conseguíamos fazer com que as pessoas a ignorassem, em nome do invadido? Ou será que continuaríamos a verificá-la diariamente, nem que fosse para ter a certeza de que não éramos nós o prato do dia?
Chegariam as nossas vidas para preencher conversas? Ouso dizer que sim, se não tivéssemos de ter tanto guardado, pelos risos e juízos.
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