segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Mais um.

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Quando penso em mim, penso que me podes ver em tantos lados que me assusto. Tendem a banalizar-me e a fazer-me mais comum do que possas pensar. Tal como acontece com as palavras, não gosto. Gosto, sim, de mim. Só espero é que tu também. Porque, para já, é o teu sorriso a dizer-me o mesmo e o brilho com que ficas quando me olhas que me faz gostar do mundo.

Sou de uma certa maneira e sei que isso me enquadra em muitos perfis, mas não sei em qual deles mais me enquadro. A verdade é que ninguém gosta de ser estereotipado. Ser classificado e rotulado de determinada maneira por ser assim, ter aquilo ou gostar do resto. Todos somos de certa forma e temos certos traços que nos assemelham, é certo. Mas de acordo com a mente colectiva, que cria, pela sua necessidade ou compulsão de sistematização, um sistema de castas, isso por si só insere-nos em grupos característicos. O que quer que seja serve. Bons ouvintes, sempre prestáveis, as boas pessoas. Inocentes, ingénuos, fofinhos, os anjinhos. Inseguros, deprimidos, apáticos, dramáticos, idealistas, românticos, e outros. Elitistas, manientos, tudo serve para nos catalogar. Mas isso não costuma ser, por norma, agradável. Porque não somos, e talvez aqui pela excepção, uma extensão das nossas características. Sei que isto pode parecer a mais óbvia das contradições, mas gosto de pensar que, embora sinuosa e difícil de perceber, a linha entre a maneira como somos e o modo como isso nos define existe e é bem marcada.
Entende, tenho medo. Medo de que, quando me conheças, eu te pareça apenas mais um. E mesmo que lutes contra isso, passe a sê-lo. Daqueles que já viste aqui e ali e com quem simpatizaste tanto mas até já nem te lembravas. Apenas mais um.
Quero acreditar que não o sou. Não sei, talvez seja simplesmente eu a pertencer aos estúpidos.

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