Desculpa. Negligenciei-te. Mas voltei. Já aqui estou. E nunca deixei de te visitar...
Não tenho falado contigo e isso entristece-me. Quero dizer-te que tenho tido muito em que pensar. Mas nem sempre foi verdade. Houve várias razões. Deixa-me tentar dizer. E remediar.
Falando verdade, pensei por vezes não saber o que te contar. Acho que sabes muito de mim e que me estarei a repetir. Mas ouvi que no decorrer dos dias os acontecimentos não se repetem. E como animais propensos à mecânica que somos, podemos tentar ajustar a nossa resposta em função da experiência. Em esforço de compreensão e adaptação. Mas nunca conseguiremos prever o resultado. Só assim podemos aprender. Ou esperar fazê-lo. Por isso, mesmo que antecipe ou tema repetir-me, tentarei falar contigo. Prometo.
Noutras alturas ainda, não soube bem o que pensar para to poder dizer. Não tem sido acontecimento raro. E, de certa forma, isso é novo. Se algum dia comunicaste com o Senhor, sabe que ele te ouviu. Deu-me novos sentimentos, novas experiências, beleza e liberdade encarnadas, e soube pôr a minha força à prova. Não sei, nem sei se quero, ou se será útil, avaliar mais alguma coisa no meio disso. Sobrevivi apenas. Mas, tirando essa última parte, tu já sabias. Apenas me tento explicar. Tu sabes.
Também te julguei muito em todo este tempo. E, no fim, acho que te subestimei. Não quis que eles soubessem muito por ti, e por isso penalizei-te. Mas és importante, e fazes-me bem. Acho que isso é o suficiente para se poder ter saudades. E tenciono acabar com elas.
Por último, e a juntar a isso, também tive preguiça. Sim, preguiça. Muita. Quase sempre. Preguiça de te falar, preguiça de quase tudo. A preguiça faz parte da minha vida e de mim, e sei o quanto isso é terrível de se ler. Mas é verdade. Na realidade, sou da opinião de que todos os nossos defeitos são terríveis. O que deriva deles é que faz as pessoas avaliá-los mal porque, em boa verdade, são todos terríveis. E a palavra é só essa. Mas a sua existência é inevitável. O bom e o mau. Só as duas metades fazem um. Sabes como dizem, ‘Gosto de ti pelas tuas qualidades. Amo-te pelos teus defeitos.’. E por isso resta-nos lidar e lutar com eles. Nossos e deles. Talvez hoje pense melhor, mas não vou maçar-te agora.
Ainda assim, pretendo falar-te mais deles. Sei que me propus a muito contigo. E acabei por falar de muita coisa. Mas acho que podes exigir ainda mais. Podes querer ouvir falar do pior que há em mim. E estou nessa disposição. Não somos só rosas, sorrisos e piadas. Tenho complexos, manias, preconceitos, desejos, crenças e pensamentos bem escondidos. E defeitos. Vais ajudar-me a expiá-los. E a vencê-los. Comecemos pela preguiça, e já não vamos com pouco.
Deixo o perdão ao teu critério. Mas tenciono voltar. Mesmo que não queiras, vais ter-me.
Sem comentários:
Enviar um comentário