quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Let go.

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You have the shield / I’ll take the sword”
from ‘The Shield And The Sword’ – Clare Maguire

Fala comigo. Fala comigo, quero saber de ti. Quero saber o que se passa na tua cabeça, o que andas a sentir. Fala comigo, sinto a tua falta. De ti na minha vida, nos meus dias, no meu sorriso. Sinto tanto a tua falta. E vou continuar a sentir.

O lado guerreiro das relações começa quando se perde a arte da adivinhação. A ligação síncrona. Com o outro lado, e daí com o nosso. Deixamos de conseguir prever reacções, pensamentos, palavras. Já não acabamos as frases um do outro agora. Penamos quase até para que elas encontrem o fim, e com sorte algum sentido. Porque é que já não falamos? Como ficou tudo assim?
É normal, ao que ouço. E ao que parece. Tudo tem o seu tempo. E o amor só é eterno enquanto dura.
Gostava que tudo ficasse bem, mas nenhum de nós parece saber como o fazer. Ou quer. Ninguém sabe o que quer. Ninguém quer cortar com nada. Mas ninguém está bem como está. Nenhum de nós quer dizer que nos vamos afastar. Ou aceitar isso. Ou melhor, aceitar não é o problema. A escolha não é muita. E mesmo que fosse, por vezes a vontade hesita. E vontades não se forçam. Não é o tempo.
Mas nenhum de nós vai verbalizar isso, pois não? Sem sorte, nunca mais nos vemos. E agora que isso parece real, queremos que tudo esteja tão bem quanto pode estar. Queremos ir fugindo sem que se note. Aplacando as situações, as sensações. Fazendo o desmame. Para que seja mais fácil. Para que não custe. Para não magoar.
Custa na mesma. E também magoa. Estamos bem, mas não estamos bem. Fica a ligação. Mais vale parar agora.
Se um dia conseguirmos ter sorte e nos encontrarmos, eu vou sorrir-te na mesma e ficar feliz por te ver. E vou querer falar contigo.

[Julho de 2012]

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