segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Desejos de má coragem.

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Àquela hora, chegava ao rio. Tudo calmo, sem uma brisa no ar sequer. O mundo havia parado. Ele, sozinho, estava num daqueles habituais momentos em que nada lhe fazia sentido. Nem o que ele fazia, nem ele, nem a vida dele.
Nada de invulgar havia nisto, embora, contudo, desta vez fosse diferente. Ansiava agora, como nunca antes, com determinação e firmeza, por uma mudança na sua vida. Ansiava por ela de maneira quase psicótica. Ansiava por algo que lhe desse vida, que lhe desse sentido e fizesse sentido. Algo! Mudança!
Mas sabia que nada aconteceria… e ele não tentaria de novo. Sentia-se demasiado exausto para empreender de novo tal cruzada. Já se havia fartado de sofrer.
Decidiu então ir, voar, nadar, divagar, levitar dali para fora. Mergulhou. Queria fugir dali, ir para longe de tudo, sem que pudesse ver para o que ia, para não poder nem ter de escolher. Queria ir… pois como se sentia bem na água…
Começava a sentir a falta de ar nos músculos… sentia-o! Nos pulmões, oh!, como o sentia! E isso anestesiava-o, dava-lhe algo do que procurava. Quis ficar. Quis prolongar o êxtase da sensação. E teve vontade suficiente para o fazer. Quis aquilo de alma e coração.
Ficou. E, no seu último lapso de consciência, só pensou que tinha conseguido. Pela primeira vez teve coragem, coragem para fazer. Ainda que fosse coragem para desistir.


[27 de Abril de 2007]

domingo, 12 de outubro de 2008

Amanhã se verá.

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Como alguém meu conhecido tem apreogado, citando Ovídio, "Amanhã não seremos o que fomos nem o que somos"...

E não, amanhã não seremos nada. Nada do que hoje existe. Talvez melhor? Não, talvez pior! Talvez retrocedendo e voltando aos tempos de que outros fugiram. Porque nada evolui... Nada!
E o pior de tudo são as grandes ilusões. As ilusões que só trazem desilusões. Damos connosco com vontade de mudar mas sem força para o conseguirmos fazer.
E no meio de tudo isso, que vai ser de nós?... Que será de nós amanhã?... Viveremos? Poderemos ao menos tentar?... Ou será que isso também não é um direito nosso?!...