
Hoje sonhei contigo. Aliás, contigo e com mais gente. Pessoas que só tu conheces, mas nem por isso impedimento. Um daqueles sonhos meio conscientes, em que as circunstâncias se sucedem. Mas tu estavas lá, e é o que importa.
Ali estávamos nós, na conversa. Sabia bem. Havia música, havia risos, havia comida. E lembro-me especialmente da maneira como estava contigo. Tu com as pernas à chinês e eu ao lado, à Miss Playboy, com a bochecha no teu ombro. Lembro-me de ter um sorriso parvo na cara, e de tu te estares a divertir imenso com a tarde. E à nossa frente, um dos teus amigos a olhar para nós, intrigado mas sem perder o sorriso, a pensar que entre nós deveria haver alguma coisa. Lembro-me de pensar que estava a dar a entender as coisas até onde podia. Não deixando de levantar a suspeita, mas nunca podendo ser acusado. Um equilíbrio complicado, e uma má tendência minha, que nem sempre se consegue controlar na vida real. Mas também me lembro de ter sido ele o único que estava assim. E não me importei muito.
Depois disso, sei que chateámos o dono de uma casa dali próxima com a música. E, no meio da fuga apressada, deixei para trás um casaco que sabia não ser meu, embora não soubesse a quem pedir desculpa por isso. Quem é jovem, ainda assim, não desiste facilmente de uma boa diversão. E lembro-me que o passo seguinte, ainda que totalmente irreal, foi ir para os quatro casamentos, esses quase reais, que estava a haver na cidade, e tentarmos infiltrar-nos. Acho que simplesmente pelo desafio. É descabido para nós pensarmos que possa haver bebidas ou empregados a servi-las de bandeja na mão na própria cerimónia. Mas era assim que acontecia. E foi por aí que começámos.
Já descontraídos, encontrei-te junto a um pilar a ver os noivos dizer os seus votos. Então aproximei-me de ti, encostei os meus lábios ao teu ouvido e comecei a repeti-los. Secretamente, contigo só a ouvir-me, de costas para mim mas com um sorriso do tamanho do mundo. Fizeste-me feliz.
E ainda consegui sentir os teus pés a enrolarem-se nos meus de manhã.
