quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

I just thought.

Photobucket

"...don't know... I only wanted to have your life, you have everything..."
"no, I have nothing."

domingo, 16 de novembro de 2008

Straight ahead.

Photobucket

É suposto ser assim..?

Um rumo traçado, uma decisão tomada, uma vida encaminhada. Pergunto-me: se nem as estradas são direitas, porque é assim a nossa vida..? E porque é que as poucas curvas que tomamos nunca nos levam numa direcção que queiramos?
Se há dias em que não gosto de rectitude, é hoje...! Talvez só queira o que não quero.

Like a feather.

Photobucket

"How simple things could make this godless world move on so much faster...!"

O efeito que as pequenas e subtis coisas poderiam ter no mundo, se fossem apreciadas por todos nós todos os dias... o efeito que elas teriam se todos os dias tentássemos fazer o outro feliz, completando-nos... aquele efeito que poderia haver...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Desejos de má coragem.

Photobucket

Àquela hora, chegava ao rio. Tudo calmo, sem uma brisa no ar sequer. O mundo havia parado. Ele, sozinho, estava num daqueles habituais momentos em que nada lhe fazia sentido. Nem o que ele fazia, nem ele, nem a vida dele.
Nada de invulgar havia nisto, embora, contudo, desta vez fosse diferente. Ansiava agora, como nunca antes, com determinação e firmeza, por uma mudança na sua vida. Ansiava por ela de maneira quase psicótica. Ansiava por algo que lhe desse vida, que lhe desse sentido e fizesse sentido. Algo! Mudança!
Mas sabia que nada aconteceria… e ele não tentaria de novo. Sentia-se demasiado exausto para empreender de novo tal cruzada. Já se havia fartado de sofrer.
Decidiu então ir, voar, nadar, divagar, levitar dali para fora. Mergulhou. Queria fugir dali, ir para longe de tudo, sem que pudesse ver para o que ia, para não poder nem ter de escolher. Queria ir… pois como se sentia bem na água…
Começava a sentir a falta de ar nos músculos… sentia-o! Nos pulmões, oh!, como o sentia! E isso anestesiava-o, dava-lhe algo do que procurava. Quis ficar. Quis prolongar o êxtase da sensação. E teve vontade suficiente para o fazer. Quis aquilo de alma e coração.
Ficou. E, no seu último lapso de consciência, só pensou que tinha conseguido. Pela primeira vez teve coragem, coragem para fazer. Ainda que fosse coragem para desistir.


[27 de Abril de 2007]

domingo, 12 de outubro de 2008

Amanhã se verá.

Photobucket

Como alguém meu conhecido tem apreogado, citando Ovídio, "Amanhã não seremos o que fomos nem o que somos"...

E não, amanhã não seremos nada. Nada do que hoje existe. Talvez melhor? Não, talvez pior! Talvez retrocedendo e voltando aos tempos de que outros fugiram. Porque nada evolui... Nada!
E o pior de tudo são as grandes ilusões. As ilusões que só trazem desilusões. Damos connosco com vontade de mudar mas sem força para o conseguirmos fazer.
E no meio de tudo isso, que vai ser de nós?... Que será de nós amanhã?... Viveremos? Poderemos ao menos tentar?... Ou será que isso também não é um direito nosso?!...

sábado, 2 de agosto de 2008

Não vejo só assim.

Photobucket

Não há nada que seja apenas o que é. É tudo relativo para quem entende.

Sim, o tudo e o nada não existem. Não há extremos aqui. Não há certezas absolutas, previsões infalíveis, conhecimentos inquestionáveis. Nada há. Há consensos, pontos intermédios, teorias conciliadoras, tratados. E, se há coisa que me assusta, é a total relatividade das coisas, a ambiguidade sempre existente, a dualidade constante e persistente. A relativização dos acontecimentos, dos actos, dos sentimentos, da emoção. Tudo.
Não sei avaliar o quanto custa a consciencialização do mundo relativo. Mas é, para quem tenta entender, algo incontornável com o decorrer do nosso tempo, de tantas as vezes que nos interpela. A percepção consegue ser, de facto, estarrecedora.
Quando feita, se quisermos dizer que a algo chegámos, apenas poderemos dizer verdadeiramente que a pouco foi – se pouco se pode considerar. Porque uma tomada de consciência é o que é. Uma tomada de consciência. E a consciência apenas nos deixa, se alerta, viver mais tranquilos com ela mesma e connosco próprios. Praticamente, de nada nos serve a percepção do mundo relativizado e relativo por natureza. Se virmos as coisas praticamente. Porque ser consciente é diferente. É saber com o que se pode contar, o que nos pode esperar. Saber que nunca haverá consenso aprazível ao extremos. Saber que seremos forçados a tomar decisões, opiniões, lados. E que nunca, por isso, conseguiremos erradicar o conflito das nossas vidas e do nosso mundo. Haverá sempre atritos, ressentimentos e indignações.
O facto é que, conquanto possa existir a consciência da variedade de interpretações de tudo, não nos resignamos a pensar como o outro, a tornar intrínseca essa consciência. Temo-la. Mas não a utilizamos. Somos egoístas no nosso íntimo. Percebo isso, entendendo o egoísmo como meio de, individualmente, preservar e manter a identidade própria. Mas quem mostra ser egoísta é-o socialmente. E o Homem não pode ser egoísta a esse extremo. Sendo o mundo relativo, porque não podemos ser nós consensuais?
A revelação do mistério advém, ironicamente, da dualidade. Não podemos ser consensuais porque há divergências ideológicas. Há o certo e o errado. E o que para nós é errado pode ser certo para outro. E não podemos concordar e aceitar. Recusamos. Refutamos. E, embora tentemos explicar, o outro, tal como nós faríamos, recusa-se a ver a diversidade estrutural do mundo. Chegamos a lado nenhum.
E, depois disso, ficamos. Olhamos e pensamos que nem a consciência de algo nos serve.
Porque tem o Homem de ser tão complicado? Não podia apenas ser?
Às vezes penso que criamos tanto e tudo o que criamos é em vão. Porque quando desaparecermos, tudo será nada. E não conseguimos criar nada que faça sentido sem a nossa razão. Não entendemos a relatividade da nossa existência e, por isso, nunca verdadeiramente criaremos.
Mas também acho que não nos é permitido achar o consenso. Entender a dualidade não consta das nossas capacidades. Nem pode algum dia constar.


[24 de Julho de 2008]

quarta-feira, 11 de junho de 2008

A sorte grande e a terminação.

Photobucket

E o que fica por dizer? Como fica?

Tanta coisa se passou. O mundo girou, os anos voaram e nós acontecemos. Nada poderia ter sido previsto ou adivinhado. Mas já devíamos estar preparados para que assim fosse… De qualquer maneira, deixa-me só dizer que foi excepcional, crescer contigo foi excepcional. E, vá, nunca deixaremos de sonhar com o futuro, pois não?

[agora sei que há quem consiga, sem uma pinga de álcool, reproduzir uma criação do mais bêbado dos bêbados! xD]

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Felizes, inexplicáveis (ir)racionalidades.

Photobucket

Quando calha de apanhar a esperança que vagueia pelos simplórios meandros da vivência…

E por vezes somos felizes. Por vezes parece que nada vai conseguir afectar a nossa felicidade. Futura, potencial, presente, real, abstracta ou imaginária. E não. Nestes momentos não. Nestes momentos há apenas momentos óptimos e momentos menos bons. Não há vontades de desaparecer. Não há vontades de começar de novo. Não há sentimentos de frustração, de pressão insuportável. Nestes momentos há vontade de viver. E consciência de que viver não é fácil. Mas há garra. Não se desiste. Tal pensamento é inconcebível. Pois a felicidade é tanta, pelo simples facto de se estar vivo e com isso se poder fazer o que se quiser, ser-se feliz como se quer, ser-se propriamente.

Não sei a felicidade deva ser o objectivo da nossa vida. É-o para muitos, com certeza. Hoje, para mim, não. Obtenho-a de simples momentos mágicos. Tenho-a sem querer e não evito chorar. Choro feliz. Choro de felicidade.
Pode ser estúpido. E eu sou irracional, bem sei. Pode ser fase. Momento. Mas, por favor, deixem-no durar. Pelo menos enquanto eu próprio conseguir manter a ilusão. Que hoje se materializou na coisa mais vulgar do mundo. Sou parvo… mas estou feliz… (:

[23 de Maio de 2008]

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Mavórcio.

Photobucket

Não, deixa. Não faz mal. Pelo contrário.

Sentia-se capaz de cometer, de uma vez por todas, a sua maior loucura. Odiava-se por saber que nunca conseguira fazê-la. Sofrer, todos sofremos e ninguém quer. Mas agora nem sequer sabia. Era, em todo o caso, um amorfo. Desejaria talvez a morte, se não prezasse tanto estar vivo. Nem isso sabia justificar. Nem o por quê… Era dia negro, indubitavelmente.
Enojava-se por ter plena consciência de que até já a si próprio mentia. Era vulgar e corrente. O mais sensaborão dos homens escondido por detrás de filosofias que admirava e sentimentos que outrora sentira e contra os quais se sentia agora imune. Não seria ele outro como os que tanto criticava e clamava detestar…?
Tinha existência própria. Ninguém era capaz de o conhecer verdadeiramente. Nem nunca ninguém seria, pois tinha-se como o seu maior tesouro. Moldava o seu mundo como queria. As dimensões eram apenas vontades e percepções suas. Mas sabia não ser um monstro. Vivia dentro dele um, mas não vivia só. A simbiose – imperceptível…
A criança insegura, a vítima. O mundo ruiu. Guerras entre aliados, histórias recontadas, factos omitidos e subtilezas agrestes com as quais não podia ter contactado. Dilemas. Identidade dispersa. Padrão errante.
Dividiu-se. E perdeu-se.
Agora, ansiava por mudanças. Mudanças drásticas. Não queria mais sentir-se pressionado. Queria poder crescer livremente e à sua maneira. Queria que esse rasto desaparecesse. Queria começar de novo. Tudo. Ter uma hipótese.
No mundo, havia crescido por si só. E não queria que isso mudasse, nunca. Não queria mais egoísmos e desmazelos a importuná-lo. Não queria ser ignorante. E queria ser feliz, encontrar o que há tanto tempo perdera.
Aqui começava o ódio próprio… Se não conseguisse, se não ganhasse a sua própria batalha interior, ficaria para trás, excluído. Vislumbrara já em si a existência de várias facções antagónicas de pensamento e tudo tinha uma explicação, mas, enquanto dantes vivia bem com isso, hoje sentia que ou se definia ou optava pelo degredo, que o levaria, em última instância, a lado nenhum.
O mais nojento de tudo é que se sabia definido. O que sentia era apenas frustração. E essa não tinha verdadeiramente justificação. Não havia lados, não havia facções, não havia crianças ou monstros. Era tudo imaginação. Tudo desconexo, descabido e sem sentido algum. Era ele. Crescia. E sentia-se cada vez mais esmagado com isso.
Não, sabia não ser capaz. Nunca havia tido a coragem necessária para o que quer que fosse. E, ao menos, agora era tudo apenas uma questão de esperar que o relógio avançasse.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Não.

Photobucket

Não sei o que fazer a este sentimento.
Não compreendo. Não me compreendo.

Não te quero. Não, quero-te talvez demasiado.
Não. Não quero saber. Não quero nada. Nem a ti.

sábado, 5 de abril de 2008

Arrebatamentos.

Photobucket

“…Aqui despi meu vestido de exílio
E sacudi dos meus passos a poeira do desencontro…”

ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, Geografia, “Acaia”

E, afinal, a que se resume o amor? Amar, o que é?
Não encontro uma resposta fácil. Mas sinto, ao mesmo tempo, que me basta falar para que ela se faça ouvir.
Tantas vezes isto já me fez vacilar. E, de novo, volta a fazer. Não sei porquê, não sei e sei que, simultaneamente, tenho a resposta. Mas tenho a certeza de que não a quero saber. Hoje não. Porque me vou atirar para algo que não me preencherá em pleno e sei que o vou fazer, o que só pode demonstrar, no mínimo, estupidez… Uma estupidez que prejudicará pessoas que não quero magoar de maneira nenhuma.
Mas talvez haja um ponto onde se pensa não se ser capaz de aguentar mais e em que se tenta não sofrer sempre pelas mesmas coisas… Sempre a pensar no que não temos e gostaríamos de ter tido, no que apreciaríamos vir a ter…
Talvez devêssemos aproveitar as oportunidades e desfrutar do que, de facto, podemos ter. O que for, será. Terá de vir, pois o tempo invariavelmente segue.
E é-me claro que o fulgor interior não pode ser o mesmo. Afinal, não se ama de corpo e alma. Ama-se talvez de cabeça, porque se quer, porque se recorre à memória, à lembrança daquela ligação que julgávamos inquebrável, daquele sentimento, aquele que mais nos fez sofrer, mas que também nos proporcionou a maior felicidade que até hoje viemos a poder conhecer. Quanto mais pensamos nisso, mais reparamos nas diferenças entre o que sentimos agora e o que dantes era…
Um primeiro amor tem de ser, de facto, inolvidável? Insubstituível? Não se pode voltar a amar como da primeira vez? Então talvez não valha a pena voltar a amar… Ou a querer amar.
Nunca tive estes pensamentos, até hoje… Pois sempre considerei esta maneira de pensar mentalidade de gente fraca, filosofias baseadas no conformismo perante as situações, no contentamento perante as dificuldades. Tenho perfeita consciência disso… Mas também nunca pensei que a construção da minha felicidade pudesse obrigar-me a superar este desafio.
Nunca me considerei forte. Mas hoje ainda menos.
Talvez seja possível alcançar alguma paz de espírito. Talvez seja viável a construção do amor.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

D. Olímpia

Photobucket

"Estou mais só do que sozinha..."
from 'Leva-em P'ra Casa' - Lúcia Moniz

"Os teus olhos foram esperança / Os meus olhos, girassóis / Fomos onde a vista alcança / Da nossa janela..."
from 'Caçador de Sóis' - Ala dos Namorados

A minha avó… a minha avó Olímpia… eu amava-a… eu amo-a.
Mas por que não sou como os outros? É certo que é bom ser “enterrar os mortos, cuidar dos vivos” mas devo admitir que me custou vê-la morta.
Vê-la ali, no caixão. Não era ela. Não era ela que ali estava, jazendo. Mas talvez tenha visto assim os factos porque ainda não caíra plenamente em mim, ainda não conseguia conceber a total magnitude do que acontecia à minha volta e as consequências que isso viria a ter na minha vida, daí para a frente.
Ela havia morrido. Nunca, nunca mais a veria!... Nunca! Nunca mais a presença dela me acalmaria... Nunca, nunca mais!... Acho que isso é que é difícil de interiorizar.
Seria, ou foi, justo? Não. Com certeza que não. Nunca o é. Mas a morte dá-se. E ter consciência disso, se é que o posso dizer sem entrar em contradição, é todo o consolo que nos pode restar. É isso que alimenta o lado que nos chamará de novo à vida e à razão… É saber isso e pensar que a pessoa que parte estará sempre… não connosco, mas em nós.
E a minha avó estará sempre em mim… Especialmente na memória daquele abraço, o último. Mas um abraço que não ficou por ter sido, de facto, o derradeiro. Permanecerá por ter sido aquele que foi dado (ou proporcionado!) porque o “netinho” se tinha lembrado, certo dia, de a confrontar com o facto de que sempre que queria agarrar a avó ela nunca deixava… Assim, talvez (porque o presumo!) por uma vontade de satisfazer esse desejozinho do neto, até parece que andou a tentar recompor-se para que pudesse, ao cabo de um tempo, durante aquela tarde de passeio, finalmente agarrar-se a mim (como tanto gostava!) e abraçar-me, tendo-me conseguido transmitir naquele gesto tão terno tudo o que sei que sentia por mim… E eu só sei dizer, ligeiramente embaraçado: “Ai que coisa boa!! Por que foi isto, D. Olímpia?”, ao que só recebo um descontraído “Então não era isto que me tinhas pedido no outro dia? Olha, hoje apeteceu-me! Vá, anda lá, que eu preciso da minha bengalinha!” (como se vê, o sentido de humor, embora salte gerações, deve ser hereditário!).
E recordo-lhe tudo, pois ela era, com certeza, toda nesse abraço!… o riso comedido… a voz, para mim tão familiar e inconfundível… o gesto terno… até o esforço para me chegar aos ombros… E de tudo só me fica alegria, por ter tido oportunidade de a ter toda antes de a perder… nostalgia, por saber que foi tão bom e, ao mesmo tempo, tudo já me parecer cada vez mais distante no tempo e na memória… e uma grande vontade de chorar, não por saudade, acho… mas pela interiorização da ideia de que não haverá nada mais, mais ninguém igual a ela.
Sei que acabou mas não quero pensar nisso. Porque sei que quando o fizer me irei sentir mais só que nunca, só, apenas só… eu. Talvez a tivesse, inconscientemente, como o meu porto de abrigo, o abrigo que me protegia de toda e qualquer tempestade que pudesse vir… tal como em criança…
É assim que me sinto… estranho, perdido, “ Estrangeiro aqui como em toda a parte, / Casual na vida como na alma, / Fantasma a errar em salas de recordações […]”… talvez seja isto que quero dizer…!
Acima de tudo, apenas quero que se sinta orgulhosa de mim. Não no sentido de estar a velar por mim no Paraíso ou algo assim… Mas que, no meu íntimo, eu sinta que, sendo fiel ao que da minha avó em mim permanece, ela estaria orgulhosa do “netinho”. Para mim, essa é, sem margem para dúvida, a maior das espiritualidades.
Morta está, mas viva continuará. Em mim, ao menos que seja…
Não consigo evitar o choro ao lembrar e ao escrever tudo isto. Não pensei que tal ainda me fosse acontecer. Afinal, só agora, depois de todo este tempo, realmente me apercebo do quanto necessitava dela…

terça-feira, 11 de março de 2008

matters of the heart

Photobucket

«Ai, filho, as nossas estrelas estão todas a ir embora...»
«Ainda há tantas... para ti, mãe...»

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Tudo caduca.

Photobucket

“Se alguém me tivesse mostrado o futuro, decerto muitas lágrimas teriam sido evitadas. […]”.
Quero voltar a ser criança.


Crescer nunca me assustou. Até porque quando alguém me dizia ‘Quando fores grande, vais querer ser pequenino outra vez…’ eu respondia sempre muito indignado ‘Não vou nada! Eu quero é ser grande!’. Mas quem quer que me tenha dito isso, tinha razão. Ou pelo menos hoje tem razão.
Não é por causa do amor, nem das (des)ilusões que me trouxe que hoje digo isto. É propriamente por causa da vida, das coisas tortuosas através das quais ela nos leva.
O que sinto hoje é nostalgia, talvez a nostalgia do bem perdido que tanto faz Pessoa clamar pela infância. Hoje estou com ele. Tenho vindo a estar…
É pela inocência, pela crença num mundo cor-de-rosa de pessoas amarelas, azuis e púrpura. É pela desinibição, pela genuinidade das crianças. Talvez até pela sua sensibilidade ignorada. Pelo encanto de certos actos.
Crescendo, não deixamos de apreciar essas preciosidades daqui. Mas crescidos não podemos clamar-nos nós próprios. Somos já pessoas com passado e, quem sabe, com o futuro cada vez mais próximo. Podemos dizer que já deixámos marcas da nossa passagem.
Mas há tanta coisa de que sentimos saudade e tanta coisa que perdemos pelo caminho em tão pouco tempo que nos chegamos a perguntar ‘porquê? de que adiantou, afinal?’ ou até ‘quem diria que hoje seria assim?’. Damos connosco a dizer ‘se soubesse o que sei hoje…’.
Crescemos. Magoamos. Somos magoados. Desiludimos. Somos desiludidos. Ganhamos. Perdemos. Choramos. Rimos. Recordamos. Sabemos. Desejamos. Amamos. Vivemos. Envelhecemos. E a vida deve passar muito depressa com tanta coisa. Mas só por hoje, quero ser criança. Deixa-me. Eu amo-te.
“Se alguém me tivesse mostrado o futuro, decerto muitas lágrimas teriam sido evitadas. Mas viver sem lágrimas não é viver. O sentido da montagem humana só vem se […] formos ao encontro do que nos espera, na certeza de que tudo na vida tem o estigma da caducidade. Só amar não acaba.” - Frederico Lourenço


[14 de Fevereiro de 2008]

sábado, 5 de janeiro de 2008

O 'Psiquiatria Inversa'

Photobucket

Quando queremos chegar a algum lado persuadindo alguém, costuma dizer-se que utilizamos "psicologia inversa". Aqui o caso afigura-se um tanto ou quanto diferente. Mas o intuito maior.

Não pretendo vir a persuadir ninguém. Apenas vaguear. E tentar descobrir aspectos de mim que ainda desconheço. Dissertar, acima de tudo.
Dados certos factores, diga-se que "psicologia inversa" seria um método bastante leviano. O meu propósito exige métodos bastantes mais duros.
Usar-se-á, então, o 'Psiquiatria Inversa', desde já dito como um espaço de reflexão pessoal e social, numa perspectiva digamos... contrária ao normal... Afinal, já alguém certa vez disse 'Não esqueças que a causa do teu presente é o teu passado, assim como a causa do teu futuro será o teu presente..'. Não que ele seja por mim encarado como um qualquer método de tratamento psiquiátrico ou algo ainda mais aberrante. Mas enfim..!
Acho que chegará para divagar..