
Há muitas histórias por aí. Histórias que contam muito sobre
nós. Histórias que não.
Para uns interessa a história. Para outros, nós. Sou pelas
duas. Sou adepto de histórias, pelas histórias e pelas pessoas. As histórias
são finitas, as pessoas não. E talvez ao contrário. Costumo deixar a memória
decidir.
Há histórias que me dizem muito. E pessoas. Ainda que às pessoas
não possa ser feita justiça. Porque as palavras são grandes, mas as vidas
maiores. E é sempre pouco.
Conheço quem tenha corrido um mundo maior que o meu. E um
Portugal maior. Amado, sido pai, avô. Há verdades que só ele soube, imagens que
só ele viu. Acontecimentos que só ele viveu. Sentimentos e pensamentos que só
ele teve. Partilhou o que quis. E eu ouvi. Viveu como soube, e pôde. À sua maneira. E eu aprendi. Soube
ser bom, sobretudo um homem bom, e fez bem. Deixou memória. E hoje dá azo a histórias.
E com elas a momentos, emoções, e laços. Foi esse o Senhor Alberto.
Há muitas histórias por aí. Umas definem-nos, dizem quem
somos, contam muito sobre nós. Outras não. Viver é fazer história. Mas seremos
sempre maiores que ela. Obrigado, avô.