sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

To what matters.

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“We are mysterious creatures, aren't we? And at the end, so much of it turns out not to matter.”
from Evening

Sempre tive uma esperança estúpida de que algo mudasse. Que a minha vida mudasse, que o mundo mudasse, que algo nos pusesse à prova. A luta e o esforço dar-me-iam vida, impulso. Acho que só nesses momentos sabemos o que é verdadeiramente importante para nós.
Mas o tempo encarregou-se de me desacreditar. Parece-me agora que estava disposto a aceitar tudo até que a mudança viesse. E sem ela perdi o norte. A adaptação nunca é fácil mas faz parte do crescimento. Não sei bem para onde olhar agora, mas tenho de ver a minha vida como ela é. Deixar-me de coisas e aceitá-la, tal como ela é. Dar valor ao que existe, ao que posso ter. Quem vive na expectativa nunca vive o momento nem se apercebe do que o rodeia. E eu quero tanto isso. E tenho tanto, mas tanto para aproveitar. Com o tempo, vou assentar. A fantasia nunca ma vão tirar. Mas vou viver e não sonhar que vivo.
Dá-me experiências, dá-me sensações, dá-me sentimentos, dá-me beleza, dá-me liberdade. Dá-me força para amar. Para viver. What if we just sang and laughed together… for the rest of our lives…?

domingo, 26 de dezembro de 2010

Ficção e imaginação.

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“Never recreate places from your memory. Always imagine new places!” […] “An elegant solution for keeping track of reality.”
from Inception

Por natureza, sou sonhador. Adoro dormir porque adoro sonhar. Porque adoro a surpresa do sonho. A trama que nunca se adivinha, ainda que o contexto nos possa ser familiar. Adoro a forma como a nossa mente consegue dar sentido ao que o não tem e materializar diante dos nossos sentidos o que conseguimos imaginar. Como as ambições e as expectativas tomam forma e nos tomam de assalto, dando-nos vontade de lutar, razão de viver e impulso de amar. Adoro o que consigo sentir. E, também, admito, o poder de consciência que consigo ter por vezes nessa realidade. É nela que frequentemente faço sentido. E é só nela que por vezes desejo perder-me.
Mas tudo tem sempre um outro lado. Dreams feel real while we're in them. It's only when we wake up that we realize something was actually strange. E nem sempre é bom perceber que afinal não aconteceu. Suponho que fantasiar, às vezes, só me confunde e engana. Mas não perder a noção do que é ficção e imaginação torna-se difícil, quando se tem muito a desejar.
Entretanto, vai-se sonhando. E às vezes isso também nos faz felizes. O importante é ir assentando os pés na terra de quando em quando. Ainda que custe.

domingo, 12 de dezembro de 2010

O gato da consciência.

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Os gatos têm poderes. E Nosso Senhor deve saber o que faz...

O meu quarto não me diz muito. Ou melhor, é o meu refúgio. Mas está cheio de muito nada. De muitas horas vazias, de horas sem fazer nenhum. E de horas más. Horas de que não gosto de me lembrar. Mas aparentemente o nosso cérebro tem memória espacial. Deve ser por isso que o meu quarto às vezes fala só por ter quatro paredes...
De qualquer forma, não me apeteceu subir quando cheguei. Gosto da imagem que tenho debaixo do poste. E não me apetecia ouvi-lo. Gosto de pensar iluminado. Tenho saudades de quando falava horas comigo mesmo e me ria no fim por não ter dito nada que jeito tivesse. Pensava que devia ser doido. Falava a sério e sobre coisas sérias, mas acho que gostava mesmo era de me ouvir. E isso ainda hoje me dá para rir. Bons tempos...
Não subi, como dizia. O meu amigo já me cumprimentara à entrada do Bob. Não liguei muito. Tenho de ir e tu és mais um... Lá me pus à luz. Tenho de fazer um quadro daquilo.
Conversa daqui, conversa dali, ele volta, procurando novos carinhos. Que gato esperto me saíste. Sabes bem o que queres. Fascino-me com o comportamento animal, é facto. Se assim não fosse, não conseguiria ficar horas a olhar para as galinhas do meu pai. Mas os gatos ainda são outra coisa.
Tentas logo subir-me para o colo. Não pode ser, vou ficar todo cheio de pêlo. Mas eu faço-te festas… Paro para falar e sinto a tua pata. Queres mais. Faço-te a vontade de novo e tentas outra vez. Não desistes. Deves estar mesmo carente. Mas até pareces bem tratado. Estás gordinho e tens coleira. Não te percebo.
Não paras de olhar à tua volta. Mas é verdade, há muita actividade na noite, hoje. És um querido, de qualquer forma. Aqui, comigo, hoje. Distraio-me de novo e a tua pata lá está. Mas desta vez também me olhas. E só agora reparo… que és cego… Sinto-me enternecido.
Diz-me porque te julguei sem saber. Diz-me porque logo o fiz, sem te conhecer. Eu, que, aliás, agora que te olho, sou como tu. És normal e corrente e não faltam gatos com o teu pêlo, num mundo onde isso parece ser tudo quanto importa. E és cego. Quem te quererá, amigo? Soa mal mas às vezes parece que isso basta, sermos diferentes. Ainda assim, tudo quanto queres é colo. Festas e colo. Gato necessitado, é o que tu és, penso. Mas não te posso deixar, vais encher-me de pêlo e eu posso ser alérgico.
De novo me ocupo e penso agora em deixar-te. Foste um bom companheiro nesta hora. Já nos vejo em tal jornada épica, nem imaginas. Tenho pena de te deixar. Mas tenho de ir. E és só um gato, também.
depois de vir embora me dou conta de que te tratei mal. Fiz-te festas, sim. Mas não te dei colo. E tudo quanto querias era colo. Estou com pena tua agora. Quase com remorsos.
É mais comum do que possas pensar. Estúpido, ainda assim, é verdade. Mas pelos mais pequenos incómodos, as pessoas negam aos outros aquilo de que eles precisam e querem, limitando-se ao que não estorva, ou não lhes morde a consciência. Ao que lhes chega. São egoístas por conveniência. E esperam que isso baste para nos ter ali. Ficarmos pelas migalhas.
O pior é que és a perfeita analogia disso. E fiz-te o mesmo. Talvez fosse melhor se te tivesses ido embora, talvez eu tivesse pensado nisto mais cedo assim. Mas deixa, o meu descanso é que um dia ainda terás colo. Tal como queres.
Fico contente que tenhas coleira, que estejas bem nutrido e que, por isso, possa supor que tens um porto de abrigo. Ainda bem que há gente que não liga só ao pêlo. E que sabe reconhecer um gato por aquilo que é. A minha consciência agradece.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Essência.

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E eis que o sol regressa, numa bela manhã de inverno, iluminando o meu mundo. Ele é meu.

Não sabemos porque estamos bem, porque é que o mundo faz sentido. Mas faz. Conseguimos, e não apenas desejamos, ver o lado bom. Talvez seja felicidade. Ou simplesmente encanto. Com as pequenas coisas do dia-a-dia, da vida. Com uma simples manhã e uma música indescritível. O mundo é tão belo em certos dias.
I love you. You changed my life. I don’t ever wanna live without you.

Um dia ainda me vou sentir assim. E vou poder dizer-to ao acordares, quando a primeira coisa que sentires pela manhã for o meu beijo.