domingo, 22 de maio de 2011

Casamento real.

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Hoje sonhei contigo. Aliás, contigo e com mais gente. Pessoas que só tu conheces, mas nem por isso impedimento. Um daqueles sonhos meio conscientes, em que as circunstâncias se sucedem. Mas tu estavas lá, e é o que importa.
Ali estávamos nós, na conversa. Sabia bem. Havia música, havia risos, havia comida. E lembro-me especialmente da maneira como estava contigo. Tu com as pernas à chinês e eu ao lado, à Miss Playboy, com a bochecha no teu ombro. Lembro-me de ter um sorriso parvo na cara, e de tu te estares a divertir imenso com a tarde. E à nossa frente, um dos teus amigos a olhar para nós, intrigado mas sem perder o sorriso, a pensar que entre nós deveria haver alguma coisa. Lembro-me de pensar que estava a dar a entender as coisas até onde podia. Não deixando de levantar a suspeita, mas nunca podendo ser acusado. Um equilíbrio complicado, e uma má tendência minha, que nem sempre se consegue controlar na vida real. Mas também me lembro de ter sido ele o único que estava assim. E não me importei muito.
Depois disso, sei que chateámos o dono de uma casa dali próxima com a música. E, no meio da fuga apressada, deixei para trás um casaco que sabia não ser meu, embora não soubesse a quem pedir desculpa por isso. Quem é jovem, ainda assim, não desiste facilmente de uma boa diversão. E lembro-me que o passo seguinte, ainda que totalmente irreal, foi ir para os quatro casamentos, esses quase reais, que estava a haver na cidade, e tentarmos infiltrar-nos. Acho que simplesmente pelo desafio. É descabido para nós pensarmos que possa haver bebidas ou empregados a servi-las de bandeja na mão na própria cerimónia. Mas era assim que acontecia. E foi por aí que começámos.
Já descontraídos, encontrei-te junto a um pilar a ver os noivos dizer os seus votos. Então aproximei-me de ti, encostei os meus lábios ao teu ouvido e comecei a repeti-los. Secretamente, contigo só a ouvir-me, de costas para mim mas com um sorriso do tamanho do mundo. Fizeste-me feliz.
E ainda consegui sentir os teus pés a enrolarem-se nos meus de manhã.

domingo, 1 de maio de 2011

Choose.

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“Choose Life. Choose a job. Choose a career. Choose a family. Choose a fucking big television, choose washing machines, cars, compact disc players and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol, and dental insurance. Choose fixed interest mortgage repayments. Choose a starter home. Choose your friends. Choose leisurewear and matching luggage. Choose a three-piece suite on hire purchase in a range of fucking fabrics. Choose DIY and wondering who the fuck you are on a Sunday morning. Choose sitting on that couch watching mind-numbing, spirit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth. Choose rotting away at the end of it all, pishing your last in a miserable home, nothing more than an embarassment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourself.
Choose your future. Choose life.”
from Trainspotting

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Twisted angel.

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“Put me to sleep, evil angel / Open your wings, evil angel / Fly over me, evil angel”
from ‘Evil Angel’ – Breaking Benjamin

qualquer coisa inexplicavelmente atractiva no lado mais sombrio. Atractiva não, fascinante. Sempre houve. Tudo o que é mundano, hedonista, sensual, impulsivo, desconhecido, nocturno, ilícito, tem uma aura macabra associada. Tememos, mas não conseguimos desviar o olhar. A nossa curiosidade sente-se espicaçada e a adrenalina preenche-nos, dando-nos uma qualquer satisfação que não sabemos explicar. Pica. O mistério tem destas coisas.
Não sei explicar nem o quero fazer mal. Mas os sorrisos maliciosos sempre foram os que fizeram o mundo andar à roda. E só os anjos conseguem ser superiores às gárgulas.

domingo, 17 de abril de 2011

O canto das sereias.

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“Lux aeterna luceat eis…”

from ‘Requiem’ – Wolfgang Amadeus Mozart

O som ressoa nas paredes e toca os corações. Invade as mentes e toma as almas. O arrepio percorre os corpos.
O encanto só é superado pela perplexidade. Não é deste mundo decerto tal canto, tal pranto. O momento é sagrado. Faça-se silêncio. Deixe-se ouvir tal maravilha. Cante-se aos céus. E a ela Deus se ajoelhe.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Run.

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Vai. Foge. Desaparece. Vai. Hoje és só tu. Vai. De qualquer modo, ninguém compreenderá.

anos que sonho com este dia, com esta sensação. Tenho de ir, de fugir. De me salvar, de deixar tudo para trás. Tenho de perceber o que é importante, de ir e de lutar por viver. Não há mais nada a fazer. E não há nada que tanto me assuste. Tremo de pensar em tudo. E no entanto, nada me parece dar tanto impulso, tanta força. Como consigo ver tanto fascínio em tal freneticidade? A minha mente excede-se em egocentrismo maniento. E, contudo, consegue deixar espaço e faz por me chamar à atenção para aqueles que quero, de que preciso. Por mim, para mim. Diz-me o que é importante.
A ameaça não existe de facto. Nunca existiu, embora não seja essa por vezes a deliberação da vontade.
É só aquela pontinha, aquele agitar das águas no limiar dos sentidos, que põe quase tudo em risco. Essa sensação assalta-me mais que frequentemente. E excita-me. A adrenalina consome-me numa fuga não sei de quê, nem muitas vezes como. Mas tenho de ir. Nessas alturas tenho de ir. Fugir. Desaparecer. E, no esforço, nunca me consegui sentir mais vivo.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Visões.

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O teu corpo, o teu toque, os teus braços à minha volta, o teu beijo, o teu aperto, a tua garra, a tua paixão.

Não sei se vi ou quis ver. Não sei o que pensar do que sonhei, ou vivi. Não sei se o quero ou se disso tenho necessidade. Há visões que não deviam ser tidas, sonhos que não deviam ser tão vividos. Ou vidas que não deviam ser tão sonhadas. Não sei se vi. Não sei se vivi. Só que senti.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Impossível.

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uma sensação que apenas algumas vezes tive mas que me consumiu dias. Dias de angústia, de pensamento, de interrogação. Só ainda falei contigo sobre isto.
Espero que não sejamos muitos a tê-la vivido. Por um lado, espero isso. Por outro, sei que talvez por isso não compreendam e gostava de conseguir explicar aquilo que senti, embora até nisso a minha vontade hesite. É algo forte, muito forte. Tão forte. Intrinsecamente desesperante. Algo que, ainda assim, experimento com uma calma sideral. Não de quem está calmo, mas de quem não tem reacção, força ou vontade para se mexer. Posso quebrar. Algo a que eu e tu aprendemos a chamar de impossibilidade.
Não queiras saber mais. É impossível. E saber que já te sentiste tal e qual como eu chega para que o teu silêncio me conforte.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

To what matters.

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“We are mysterious creatures, aren't we? And at the end, so much of it turns out not to matter.”
from Evening

Sempre tive uma esperança estúpida de que algo mudasse. Que a minha vida mudasse, que o mundo mudasse, que algo nos pusesse à prova. A luta e o esforço dar-me-iam vida, impulso. Acho que só nesses momentos sabemos o que é verdadeiramente importante para nós.
Mas o tempo encarregou-se de me desacreditar. Parece-me agora que estava disposto a aceitar tudo até que a mudança viesse. E sem ela perdi o norte. A adaptação nunca é fácil mas faz parte do crescimento. Não sei bem para onde olhar agora, mas tenho de ver a minha vida como ela é. Deixar-me de coisas e aceitá-la, tal como ela é. Dar valor ao que existe, ao que posso ter. Quem vive na expectativa nunca vive o momento nem se apercebe do que o rodeia. E eu quero tanto isso. E tenho tanto, mas tanto para aproveitar. Com o tempo, vou assentar. A fantasia nunca ma vão tirar. Mas vou viver e não sonhar que vivo.
Dá-me experiências, dá-me sensações, dá-me sentimentos, dá-me beleza, dá-me liberdade. Dá-me força para amar. Para viver. What if we just sang and laughed together… for the rest of our lives…?