
“You're waiting for a train, a train that will take you far away. You know where you hope this train will take you, but you can't be sure. But it doesn't matter - because we'll be together.”
from Inception
Era suposto este ser um texto sobre uma nostalgia particular. Aquela de quem não está em qualquer relação. Aquele estado em que somos apenas nós e em que só temos de satisfazer os nossos desejos, sem medos de perder o que seja. Aquele estado em que só vemos casais felizes na rua, e pensamos o quão melhor seria a nossa vida assim. Mas felizes na solidão. Talvez ainda não tenha chegado o tempo. E um dia chegará. Fica a esperança no ar. Aprendemos a viver assim, e a viver connosco mesmos. Faz parte, e é preciso. Se não nos aturarmos, alguém o fará?
No entanto, hoje não escrevo com essa nostalgia. E escrever sobre ela sem a estar a sentir pode não sair tão bem. Mas escrevo, e republico, porque sinto que deixei este bloco incompleto. A citação pretende ser a exaltação do que é a entrega total do acto de amar. E não explicar o significado que tem para mim e por que aqui a coloquei deixaria um espaço oco que não quero.
Não sei se amo, ou qualquer outra coisa. E ganhei o hábito de nada dizer sem razoável certeza própria. E também por isso não quereria dizê-lo agora. Mas a nostalgia não está presente há algum tempo. Já falei dos sentimentos que nos fogem, e este é um deles. Não escrevi quando o senti, quando me absorveu durante dias e me deixou com aquele sorriso dos velhotes, quando olham para os netos a brincar e parecem perdidos em memórias. Talvez um dia volte, pelos melhores motivos, espero.
Para já, é Verão, e a busca é outra. Aprender a aproveitar a falta de solidão – os amigos, os bons momentos, as descobertas, a paixão. Aproveitar de facto. O que pode ser tão importante quanto aprender a conviver com ela e que nós, corações algo empedernidos, tendemos a refrear, por receio do futuro. E também talvez o amor. Mas para isso, estaremos lá os dois. E haverá tempo. Por isso “espera, espera um pouco ainda, espera, porque a espera é o tempo de deixar crescer aquilo que há-de ser. E é sempre pouco, quando se tem tanto para dar. E receber.”
A nostalgia, essa é que ainda não voltou. Deu lugar ao sorriso de cumplicidade, quando os casais agora passam. Espera por mim, e logo te dou de novo a mão. E um beijo.






