sábado, 19 de dezembro de 2009

O som da derrota.

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Ninguém explica os sonhos que tem.

Dia de nuvens. Nada de anormal. Da chuva agora só restava a brisa do ar e as gotas intermitentes das folhas das árvores. Mas as estradas estavam hoje ladeadas de água. E no meio de tudo isso, eu. De passagem na avenida.
Ao longe, duas entidades conhecidas. Antigos colegas de uma turma de que não me lembro de ter feito parte, de uma escola onde acho que nunca andei. Mas não é a primeira vez que sei do que falam.
Olham o carro parado na estrada, numa marcha causada pelo caos da chuva que passou. Lá dentro, o seu alvo preferido da má-língua dos tempos idos da juventude. Com ela ao lado. Ela, a sempre cobiçada, tal qual ritual tribal de canibalismo.
Nunca ousei saber se algum deles alguma vez chegou a ter por ela mais que a alarve vontade de a poder dizer sua. Não obstante, agora a olham dentro do carro. Com ele. Ele, sempre tão boa pessoa, tão pacífico e sonso, com aquela vozinha snob. Com tão altos padrões, quem o superaria também...? Enojava-os tal pessoa. Sempre assim havia sido.
Dentro do carro, não pareciam felizes. Ou talvez fosse impressão. A avenida era via de passagem rotineira e hoje a chuva não ajudava a que passasse depressa. Era disso e da espera.
'Não percebo como é que ainda estão juntos. Será ela a única que não vê?’ ‘Não sei. Mas se não vê, é porque não quer.’ Ao ouvir isto, olho para eles, esperando ver as expressões que tão bem conheço de desdém. E também vejo desilusão. Uma das que corrói com o tempo e que vai crescendo. E a petulância da adolescência desapareceu. Mesmo juntos, já não se preocupam em mostrar-se invulneráveis, donos das suas próprias vidas.
Quando de novo olho para a avenida, um acidente. Eles, dentro do carro. Olham um para o outro. Simplesmente. Calmamente. Há qualquer coisa ali. Nada mudou à volta, ninguém parece ter dado pelo carro acidentado com os ocupantes ainda lá dentro.
Olhando, ouço ‘Mas vês…? Ele vai ter sucesso, pode fazê-la feliz'.
Naquele momento apercebi-me que não desejava ouvir aquilo a ninguém, nem mesmo a eles.
E acho que voltei para trás.

1 comentário:

Anónimo disse...

ninguém bate o da equipa de futbol que me queria assassinar.