sábado, 3 de abril de 2010

Fantasias.

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Fantasias. Fantasias há muitas.

Tem-me parecido que, de alguma forma, o mundo me diz que não devemos fantasiar. Ser realistas. Pois na realidade existe o verdadeiro, o real. Aquilo por que devemos lutar. Acordar e viver de facto. E não posso deixar de concordar sem haver algo que me contraria.
Se o real existe, quem me diz que o resto é irreal? A ver, a tentar, a sentir, a fugir, a amar, a matar. Sou eu, ali.
Sentes-te mal porque digo isto. Mas a verdade é que por muito que te repugne saber que vives comigo e que me odeies por isto, sou eu que te suporto, que te impeço de cair na realidade que te esmagará, por muito que queiras que seja forte. Fui eu que, fantasiando ou delirando, percorri os passos do meu destino, que também é teu por seres eu, por entre aquele pinhal. Fui eu que, sozinho, o tracei naquele dia. Fui eu que tomei as decisões que hoje nos trouxeram aqui. E, no entanto, só nesse dia me consegui sentir preenchido, no rumo de algum sentido, em alucinação ou ilusão. Só nesse dia. Porque o rumo foi-se desvanecendo e os passos desaparecendo. Nos outros tu estiveste silencioso.
Só me engano quando fantasio. Preciso que me tragas para a realidade. Fala.

[25 de Janeiro de 2010]

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