
Todos nós temos um lado mais negro, um lado mais nosso que não queremos que os outros descubram ou de que se apercebam. Achamos que nos fará sentir expostos como a fraude que por vezes somos. Estaremos vulneráveis e ver-nos-ão como fracos, nojentos ou falsos. Vai por terra o exemplo de compostura que todos vêem, ou querem ver. O lado de nós que consideramos mais primitivo, mais instintivo e irracional. O nosso lado mais sombrio. O que lhe queiram chamar. Aquele com que só nós convivemos e conhecemos verdadeiramente.
Não queremos que ninguém dê conta. Não devemos. Para nosso bem, pensamos. É a maravilha dos sentimentos contraditórios que certas histórias e pessoas nos podem causar. Há coisas de que não conseguimos simplesmente gostar ou não, aprovar ou condenar, dizer que sim ou que não, que é assim ou assado. Não é assim. E nós também não. Todos temos o nosso lado lunar. E é bom conhecê-lo, para que não nos impeça de viver e aproveitar cada momento. Eventualmente quem te conhecer conhecê-lo-á, mas aí só podes esperar que valhas mais que ele.
Todos somos normais até os nossos segredos virem ao de cima. Sei que toda a gente tem o seu, e por isso escrevo. E por isso não te posso contar. Não te posso contar porque é o que me resta. Se te contar, sabes-me todo. E ninguém deve ser sabido todo. Não sem me dares uma hipótese.
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