
A luz esteve sempre apagada, nunca acesa. Não vi. Pensei.
Pergunto-me o que será do futuro? O que acharei, o que acharás. De mim, de ti, dos outros e de nós. Espero um dia ter histórias para contar. Sabes como sou fantasioso com isso. Às vezes ainda penso é se não gostarei de me ouvir a mim próprio. Bem sei como consigo ser. E o que passam os que me ouvem. Como me rio com isso às vezes.
Mas sabes, pergunto-me sobre isso. O que terei passado? O que poderei dizer, desejar, recordar e gostar? Achas que chegarei lá...arrependido? Perdido em memórias ou em oportunidades passadas? Atormentado por monstros e fantasmas? Ou será que me vês antes plácido e nostálgico, até empático, vendo e com isso apenas sendo quietamente feliz? Sendo. Vês-me calmo, confortável, apreciando e aguardando..? Vês?
Não sei, já pensei saber tanto. Conhecer tudo. A clássica arrogância juvenil. Estúpida. Só nos sabe dar ilusões. Mas não estou triste. Não penses isso. Estou bem comigo mesmo. Sigo o curso da minha vida, igual e diferente de tantas outras. Mas não sei. Agora não sei. A inerente ignorância ao crescimento. Não sei tanta coisa.
Depois de tanto ver e de tanto não ter visto, só não sei. Nem que fazer, nem que pensar, nem que viver. Nem que desejar. Se pudesse desejar o que desejo, desejá-lo-ia. Mas não devo. A meu bem. Por isso deixa. Eu estou bem. Podes ir.
Deixa só uma luz, para eu ver. E não a deixes apagar-se. Senão, não sei.
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