sábado, 17 de outubro de 2009

Lançamento livre.

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Já me fartei de escrever de ti.

Dei comigo a apreciar no que te tornaste. Não és quem amei, nem tão-pouco a pessoa que pensava conhecer. Cheio de preconceito infundado, julgador de acordo com os teus códigos fúteis e ininteligíveis. Estás tão distante de mim que nem que os nossos lábios se tocassem me conseguirias acelerar o coração. Sendo literal e explícito, tenho um pouco de nojo de já ter sentido o que senti por ti.
Que coisa pueril, te digo! O amor é, ao fim e ao cabo, coisa de crianças. Só as crianças têm os olhos vendados como um amante. Só elas acreditam nos contos de fadas e no 'viveram felizes para sempre'. Só elas conseguem ver o mundo de uma maneira tão suportável. Eu deveria ter crescido um pouco mais.
Embora seja mais do mesmo, a cada dia me sinto mais longe de ti. E ao mesmo tempo cada vez mais desligado do que por ti senti e deste peso pesado a que chamam amor. Já a palavra enjoa. Amor hoje é cliché.
Hoje assinala-se a tua morte. Ainda viveste mais do que eu quereria. Mas, ironia das ironias, foste-te asfixiando sozinho. E, muito sinceramente, isso dar-me-á que rir por muito tempo. Safei-me bem, comparado contigo.
Detesto a literalidade que imprimes às coisas, até a este texto. Mas vivo bem com isso, por uma última vez. Acabaste. Não voltas ao divã.

sábado, 19 de setembro de 2009

Dias.

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Eu também tenho dias maus. Dias em que não quero estar com ninguém. Dias em que não quero saber de ninguém. Dias em que fico horas a olhar para lado nenhum, a pensar no que não devo. Dias em que sou uma vítima. E o assassino. Dias em que não faço nada. Dias em que choro. Dias em que durmo para não pensar. Dias em que não gosto de mim. E dias em que só gosto de mim. Dias em que só quero poder desaparecer e recomeçar. Dias de raiva, de ressentimento, de tristeza, de desilusão, de apatia, de amor. Dias de 24 horas.
Nesses dias vejo-me de maneira diferente. Frio, áspero, bruto, superior, corajoso, destemido. Nesses dias talvez não me conheças. Mas dá-me espaço. Eu lá me levanto. E, não tarda, já te falo.

Are you the one.

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"Off I go / Where I fall is where I land"
from 'Off I Go' - Greg Laswell

Meu amor, não sei que te diga. Mas tentarei ser simples, como tu.
Sinto necessidade de te proteger. Um instinto quase paternal que me faz desejar, quando te sei triste, abraçar-te. Para que passe depressa e voltes a ser quem és. Como mereces. Mereces não sofrer e ser apenas feliz. Porque quando precisei de amizade, estavas lá. Quando precisei de me pôr a salvo, soubeste ajudar. Quando precisei de me sentir especial, fizeste-me senti-lo. Estiveste sempre ali. E às vezes só a presença.
Há tanta coisa que só agora vai começar...! Lembra-te que as desilusões vão ser muitas e sobre elas só tu tens controlo. Podes tentar esquivá-las. Ou ultrapassá-las. Porquanto que nunca percas o sentido que te rege. O teu objectivo de criação. Depende de ti e só de ti levantares-te e continuares a tentar. Haverá noites em que adormecerás de lágrimas nos olhos, sim. Outras em que sorrirás ao adormecer. E outras em que não saberás nem terás respostas mas terás esperança. Esperança de que lutarás para que amanhã seja melhor. Esperança de que algum dia não precisarás mais de procurar. Esperança de que conseguirás resolver a tua cabeça. Esperança de que serás feliz. E consciência de que nunca adivinharás os outros.
Para o bem e para o mal, o tempo sempre passa. Por isso um dia chegará o teu dia. Ou talvez até seja nosso. Até lá, esperas. Ainda vai acontecer. Só quando estiveres com os pés para a cova é que te deixarei dizer o contrário.

sábado, 25 de julho de 2009

Definição.

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"You cannot find peace by avoiding life, Leonard."
from The Hours

Tenho tentado mostrar-te o que me define. As definições têm sido muitas. As mais variadas. Nenhuma delas define. E todas o fazem.
Já vi a felicidade à distância de um horizonte e eu não sou de correr atrás do que não posso atingir. Já desejei apenas paz e com ela não me contentei. Não a atingi. E não esqueci. Mas também mudei. De ideias, de opiniões, ideologias, filosofias, o que lhe queiras chamar. Por isso, agora, eu já sonho de novo com a felicidade que procurarei e que se materializará na busca. Posso já ter parte da paz a que ambiciono. Afinal, sou eu que traço os meus horizontes. Eu lá chegarei. Com calma.
Mas lembra-te de que isto são odes de fim de ciclo. Um acaba, outro começará. O que faço hoje é recordar as definições dos últimos meses e tentar de novo mostrar-tas. Para que não me deixes esquecer que seremos felizes, um dia. Amanhã ou depois. Desde que o sejamos. Não quero voltar a sentir o que já senti. Não gosto de definições passadas nem das que já não servem. E há muitas assim para deixar para trás. Se hoje ao olharmos para ontem não nos reconhecemos, amanhã te garanto que já não seremos nós a falar de hoje. E tu conheces-me. Sabes que eu não sou de definições.

sábado, 20 de junho de 2009

Os caminhos.

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Sabes como é. Como sou. Assim.

Para mim, és como és. Assim. Como eu. Também assim sou. E não argumentes. Por mim, podes ser assim. Aliás, tens de ser. Senão, não és tu. És assim. É assim.
Ouve. Eu já me deixei de muito há muito tempo. Se hoje assim sou, nem me arrependo nem de outra maneira sei ser. É assim. Vivo com o que não posso mudar e evito o escusado. Conformismo, dizem às vezes. O que quer que os faça felizes. Não me interessa. É assim. Tento a felicidade dos meus todos os dias de todas as maneiras que sei e a minha constantemente e também quando me apetece. Há dias e dias. Mas é assim. Não vacilo por também sofrer ou porque isto não me faz sempre feliz. Penso que o sabes, sou assim por acaso. Não pelo sofrimento. Bem sei o que ele pode fazer às vidas. Mas compreende que eu só quero estar bem. Em paz. E isso não é contentamento ou conformismo. Eu até ambiciono mais que aquilo que tenho e sou. Sempre. Mas calma, a vida constrói-se. Deve haver tempo. E vai-se vendo. É assim.
Mas já sei, eu já sei. Tu és assim. E eu não. Mas mostra-te contente. Somos diferentes. E é por isso que não gostas só de ti. Conformado?

Conhecimentos.

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A luz esteve sempre apagada, nunca acesa. Não vi. Pensei.

Pergunto-me o que será do futuro? O que acharei, o que acharás. De mim, de ti, dos outros e de nós. Espero um dia ter histórias para contar. Sabes como sou fantasioso com isso. Às vezes ainda penso é se não gostarei de me ouvir a mim próprio. Bem sei como consigo ser. E o que passam os que me ouvem. Como me rio com isso às vezes.
Mas sabes, pergunto-me sobre isso. O que terei passado? O que poderei dizer, desejar, recordar e gostar? Achas que chegarei lá...arrependido? Perdido em memórias ou em oportunidades passadas? Atormentado por monstros e fantasmas? Ou será que me vês antes plácido e nostálgico, até empático, vendo e com isso apenas sendo quietamente feliz? Sendo. Vês-me calmo, confortável, apreciando e aguardando..? Vês?
Não sei, já pensei saber tanto. Conhecer tudo. A clássica arrogância juvenil. Estúpida. Só nos sabe dar ilusões. Mas não estou triste. Não penses isso. Estou bem comigo mesmo. Sigo o curso da minha vida, igual e diferente de tantas outras. Mas não sei. Agora não sei. A inerente ignorância ao crescimento. Não sei tanta coisa.
Depois de tanto ver e de tanto não ter visto, só não sei. Nem que fazer, nem que pensar, nem que viver. Nem que desejar. Se pudesse desejar o que desejo, desejá-lo-ia. Mas não devo. A meu bem. Por isso deixa. Eu estou bem. Podes ir.
Deixa só uma luz, para eu ver. E não a deixes apagar-se. Senão, não sei.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

A ironia do gajo.

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Como é irónico tudo isto. "[...] and you don't need to bother..."
from ‘Bother’ – Stone Sour

Como é irónico o quanto o destino gosta de brincar connosco, como é irónico o quanto saltitamos de humor em humor e de sítio em sítio, até de vida em vida e às vezes até de personalidade em personalidade, para sempre irmos chocar contra aquela mesma velha existência. Um nojo de evento. De facto, nojento. E, no entanto, só me apetece rir da ironia, da ironia que conspurca toda esta vidinha da caca, que brinca comigo assim. Dando-me ignorância e total desprezo, reduzindo-me a um inócuo e vulgaríssimo ser rastejante, expectante. Nem tanto, que esses ao menos não fazem figura de parvos, que não agem nem culpados da sua herança genética podem ser. Deus, que riso de morte! Riso do descarte pessoal, de quem negligencia e usa a bom belo prazer quem pode e consegue e quando dá jeito. Vá, e quando apetece também.
Haverá palavras para tal? Sinto-me mudo de tanto querer berrar e não quero ser novamente redundante. Não sei, isto há-de passar. Mas é mau, ter mudado assim. Há coisas que agora me afectam e deixam marca. Ressentimento. Uma qualquer incapacidade de perdoar, não precisar de querer esquecer e seguir sempre bem. Agora não. Acumulo. Pelo menos por agora. Mas isso é contigo. Aliás, tudo é contigo. Tudo tem a ver contigo, gira tudo à tua volta. Outro nojo da minha vida. Até quando te ignoro só demonstro que fico a pensar mais em ti do que se não o fizesse. Mas eu até já estava bem melhor, desligado de ti. É o que se faz, ignora-se… e assim continuará a ser, agora mais que nunca. “Do never, but ever, forget those words”, disse-to ontem em mim. Cumprirei.
A vida é fodida e o amor é o maior filho da puta que conheço. Nunca mais te descobrem a cura, grande cabrão.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Vede.

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Quanto mais vamos, mais nos agarramos.